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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A INSACIÁVEL


Aninha, filha de um casal de portugueses morava numa casa de esquina, onde repousavam frondosas árvores, junto com os pais depois de um casamento que durou pouco e teve um final escandaloso. O marido, desconfiado da traição da mulher, colocou um gravador no quarto logo que saiu para o trabalho. A armadilha funcionou e de posse da gravação, desmascarou a mulher que o traia com um dos seus empregados, deixando-a sem eira nem beira.
               Com o fim do casamento, Ana continuou tendo seus casos, que sempre terminavam de forma pouco civilizada, pois não aceitava as separações de forma pacífica. Quando o amante era casado, ela não deixava por menos e ia na porta da casa do ex para dizer todas as coisas que ficaram entaladas em sua garganta. Era uma mulher temível. Tanto pela sua fúria sexual, como pelas conseqüências resultantes da separação. Como era extremamente possessiva era inevitável que as relações não tivessem longa duração. Em pouco tempo os amantes procuravam escapar da perigosa armadilha.
               De sua casa tinha uma visão privilegiada da rua e podia observar entre os passantes alguma presa fácil para alimentá-la nos prazeres da carne. Foi assim que viu o filho do novo proprietário de um armazém do bairro que ficava na esquina em frente a sua casa.  O moço era casado, mas sabe-se pelas boas e más línguas que vivia às turras com a esposa que às vezes vinha ajudar a ele e o pai no trabalho nas lides do comércio. Esposa segundo corrigiu-me um amigo professor da língua pátria, é apenas no dia do casamento. Depois disso passa a ser mulher. Mas isso não vem ao caso com a nossa história.  Aninha não perdeu tempo e começou a freqüentar o estabelecimento lançando olhares sedutores para o jovem. Não demorou muito tempo e a nossa “viúva negra” já havia seduzido mais uma presa. Como os pais de Aninha já estavam bem idosos e ela morava numa área independente da casa, foram lá os tórridos encontros amorosos com o comerciante, segredo que todos no bairro já sabiam e o descuidado rapaz nem desconfiava.
               Como já foi anunciado no início desta pequena história, não demorou em que o rapaz percebesse que estava mais do que na hora de dar adeus à aventura e aos perigos que ela representava. Mas ele não encontrava uma maneira delicada para dar fim a tudo, pois já conhecia bem a amante e sabia que o rompimento seria explosivo.   O rapaz cujo nome aqui não nomearei por temer fazer alguma injustiça passou a fugir dos encontros alegando, ora estar muito ocupado, ora que a mulher estava a sua espreita. Mas Aninha não se convenceu com as desculpas e um belo dia, que talvez não tivesse sido tão belo assim para o moço, resolveu fazer o maior escândalo que o pacato bairro já havia presenciado, chamando-o, na porta do estabelecimento, de frouxo e outros adjetivos que o sexo masculino reza e pede ao criador para nunca ouvir, ainda mais em público.
               Ele não fazia idéia do que estava por vir e depois de mais algumas investidas e convencendo-se de que ele abandonara o barco, quer dizer os prazeres que ela lhe proporcionava na alcova, partiu para um jogo mais pesado, espalhando que o rapaz precisava de um pequeno auxílio para conseguir atingir o orgasmo. Imagine você leitor, que ela declarou em alto e bom tom, que ela precisava usar um consolo na parte traseira do moço nos seus momentos mais íntimos. Devo dizer que ela disse isso com o calão mais adequado às mulheres de vida fácil, que não tem preocupações pudicas.
               Pobre moço. A notícia se espalhou e ele ganhou o apelido pouco gentil de “fio terra”, que é aquele fio fundamental para que todo aparelho necessita para funcionar. O seu casamento que a bem da verdade já estava no seu ocaso, recebeu a gota d’água para acabar de vez. O pai diante da desmoralização do filho perante a comunidade passou nos cobres o armazém e arribou para outras freguesias e nunca mais se falou neles.

               A nossa poderosa mulher vulcão continuou a acompanhar os transeuntes pela janela na espreita de conseguir mais alguma presa. Mas o tempo passou pela janela de Aninha e tudo indica que depois do último escândalo nunca mais conseguiu alguém para compartilhar do seu aquecido leito. Foi envelhecendo a olhos vistos e um câncer, daqueles que não demonstram piedade a ninguém, a consumiu rapidamente para a tristeza daqueles curiosos e curiosas que vêem na vida alheia, o tempero para as suas.

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