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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

SUPLICY, A VESTAL DO SENADO

Sempre votei no Eduardo Matarazzo Suplicy desde o início de sua vida política, quando participou do MDB autêntico, juntamente com Mario Covas, Fernando Moraes, Fernando Henrique, Audálio Dantas entre outros, mas confesso que sempre o achei enrolado demais para ser político. Nesta época era quase gago, tinha muita dificuldade para articular uma frase, o que dirá um discurso. Mas sempre o considerei um sujeito honesto, bem intencionado, apesar de muito ingênuo, ingênuo demais para a profissão. O Suplicy melhorou muito, muito mesmo com o tratamento de uma fonoaudióloga paulista que é reputada como uma “fera”, segundo informações de um amigo. Hoje ele até fala com certa articulação. Lembro-me de uma palestra que ele fez nos tempos de faculdade nos anos 1970. Foi um desastre. Depois de uns vinte minutos, a metade da platéia foi embora e o restante dormiu. Quer dizer: quase, pois continuei até o final com mais alguns abnegados.
Confesso que esperava que ele fosse se desligar do PT no episódio conhecido como mensalão, mas acabou engolindo um sapo maior do que ele. Um bom cabrito não berra já dizia o adágio popular e o velho Supla está aí para provar que o “partidão” do camarada Lula, o guia do povo brasileiro não admite que ninguém pule fora do barco, principalmente em mares revoltos. Também no episódio Celso Daniel, ele não se convenceu com a versão oficial e deu uma de Sherlock Holmes, mas ninguém deu ouvidos ao nobre senador que ficou falando às moscas.
Na crise do lorde do Maranhão, para não confundir com o Sir do mesmo estado, também esperei que ele pegasse a estrada e deixasse de hipocrisias. Não! O partido para ele é como uma família e não se abandona a família numa crise. “Eu acredito que posso recuperá-la”, disse com a firmeza dos puros.
Depois veio aquela do cartão vermelho. Surpreendente mesmo, pois quando tudo estava sendo esquecido, este “chato”, que insiste na moralidade e na decência da política, resolve colocar mais lenha na fogueira para atrapalhar o projeto do grande camarada. Falou em nome pessoal, contrariando a direção partidária. O Lula deve ter falado cobras e lagartos sobre ele. O presidente do partido negou-lhe o cumprimento uma hora depois do pronunciamento. Os companheiros o criticaram de forma explícita. Pensei que ele havia trilhado uma estrada sem retorno. Teria que ir até o final.
E agora José? Teria chegado a hora de pegar a estrada e mudar de ares. Política é para profissionais da falcatrua e o velho Suplicy, apesar do esforço, não tem estômago para isso. Portanto, a melhor saída seria pegar carona com a Marina enquanto havia tempo, mas não, o Supla continuou em sua batalha quixotesca contra os moinhos de vento verdadeiros ou não.
E para encerrar com garbo as suas aventuras quixotescas, resolveu mostrar que é um homem corajoso, sem medo de enfrentar o partido. Colocou uma sunga por cima das calças e desfilou “elegantemente” pelo congresso. Uma cena digna de chanchada brasileira dos anos cinqüenta. O Suplicy se superou e deixou todos os seus críticos e admiradores boquiabertos ante o inusitado. Depois dessa quero esquecer que já votei no camarada Suplicy e espero que ele se aposente e quem sabe, reate com o seu velho amor, a aguerrida Marta.