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segunda-feira, 15 de março de 2010

O DIA DA POESIA, GARCIA LORCA E OS AMIGOS POETAS





O último dia 14 de março foi o dia da poesia e eu nem me lembrava da data. Mas confesso que não acho que a poesia precise de data; não porque a poesia não mereça, mas porque ela está acima das datas e não é necessário um dia para se ler poesia. Todos os dias são da poesia, pena que nem todos pensem assim. Um velho amigo sempre diz: “Esse mundo não tem mais poesia” e isso era o bastante para desmanchar o coração da mais renitente donzela. “As mulheres podem gostar de cartões de crédito, belos carros, roupas, jóias, mas são os poetas que tocam em suas almas”, repetia esse dom Juan incurável.
Existiria poesia sem poetas? Eu acho que sim, pois a poesia está em todos os lugares e em todas as pessoas. Mas é preciso o olhar do poeta para decifrá-las, lapidá-las. É claro que existem os poemas brutos e os mais elaborados, mas são todos poesias. Há também aquela velha discussão de que letra de música não é poesia. Discussão estéril... Chico Buarque é um dos defensores desta tese, que considero apenas modéstia do autor de Beatriz, uma das mais belas páginas poéticas da música popular brasileira. Se ele não fosse músico e cantor, seria com certeza, apenas um poeta, que não teria a visibilidade dos que não podem andar nas ruas como homens comuns.
Esse assunto do Chico me fez lembrar-se de outro poeta, o Federico Garcia Lorca, que além de um grande poeta e dramaturgo era um artista com múltiplas facetas. Era também músico e desenhista de talento. Há alguns anos, fuçando uma liquidação de discos, encontrei um long-playing de capa preta, com um belo desenho estilizado de um homem deitado sobre a mesa de um bar ao lado de sua guitarra. Era de músicas de Garcia Lorca, interpretadas por Paco de Lucia. Comprei logo o disco antes que aparecesse outro interessado e ao ouvir o som do grande guitarrista, fui transportado para a terra do artista espanhol: Andaluzia. No desenho, o guitarrista boêmio, extenuado após tocar sua guitarra durante toda a noite, abandonava seu corpo sobre a mesa no final da madrugada.
Era um belo disco que ingenuamente emprestei para algum violonista, amigo ou conhecido, que nunca mais devolveu. Mas conservo na memória este disco e a lembrança de um poeta que também tocava guitarra, compunha canções e escrevia peças de teatro. Um artista completo que foi cruelmente assassinado pelos fascistas durante a revolução espanhola, ainda jovem e no auge da carreira.
Meu primeiro contato com a obra do poeta foi em uma peça de teatro do Flávio Rangel e Millor Fernandes, “Liberdade, liberdade!” Era uma coletânea de textos de vários autores sobre a liberdade. Paulo Autran declamava um trecho do poema Romance Sonâmbulo, os conhecidos versos: “Verde que te quiero verde/ Verde viento, verde rama/ El barco sobre la mar/ E el caballo na Montana...”. O vigor da interpretação de Autran dava um sentido transcendente para o poema e inspirava o sentido de liberdade.
Mais recentemente li dois livros em que os autores escreveram sobre Garcia Lorca. O primeiro, do Pablo Neruda, em sua autobiografia “Confesso que vivi”. Nele conta seus primeiros contatos com o escritor, ainda muito jovem em Madrid e Paris. Neruda dizia que Lorca se recusava a ler os seus versos, pois gostava tanto deles que tinha medo de ser influenciado. O outro, Luiz Buñel, cineasta espanhol, que dirigiu a inesquecível “Bela da Tarde” entre outras obras primas. No livro conta os últimos momentos que esteve com o poeta de Andaluzia e tentou sem sucesso convencê-lo a ficar em Madrid em razão da radicalização dos conflitos entre republicanos e fascistas em sua amada Andaluzia. Lá ele se refugiou na casa de um fascista, amigo de sua família, pois achava que estaria mais seguro. Ledo engano. De lá foi retirado em um caminhão com outros republicanos e vilmente assassinado. Buñuel se lembrava de como o poeta tinha medo de morrer e a lembrança da tortura pela qual passou em seus últimos momentos o comovia anos depois.
Confesso, que me perdoem os amantes da literatura, como Milton Eto, que até o ginásio passava longe da poesia. Era para mim uma tortura ler os barrocos, românticos e parnasianos. Só depois, ao ler o Drummond, com seus versos soltos e livres, comecei a me aproximar da poesia. Depois dele, veio o Fernando Pessoa e os seus heterônimos: Álvaro de Campos, Alberto Caieiro e o próprio; Manuel Bandeira, Mário de Andrade e alguns portugueses modernos, como José Régio, li depois. Ainda no colégio fiquei fascinado no T.S.Elliot e os Quatro Quartetos, um livro inesquecível.
E quem nunca escreveu seus versos? Lembro-me da Neusa, minha irmã mais velha, que escrevia versinhos em seus cadernos escolares e muitos deles consegui ler às escondidas. Ainda outro dia perguntei a ela se não escrevia mais. “Não há mais tempo para poesia. A vida real é muito dura”, disse. Meu irmão Nelson, recentemente falecido rascunhava também seus versos e os mostrava a mim com certo constrangimento. Afinal escrever poesia não é visto como algo digno numa sociedade voltada para o sucesso profissional, para a racionalidade.
Há que lembrar nestas rememorações sobre poesia e poetas, do José Carlos Brandão, poeta consagrado, autor de vários livros e de quem recebo belos e inspirados poemas quase toda semana. Brandão eu conheço virtualmente, por obra e graça da amiga comum, Mirian Sofiati, mulher do meu amigo e parceiro, Oscar de Vito. Os velhos amigos, como Dedo Thenório e Zeca da Silva, que escrevem versos unicamente para as canções que compõem ou para parcerias, mas que merecem estar no panteão da poesia. Dedo, além de escrever versos e peças de teatro, é músico, desenha com maestria, com um traço muito pessoal e belo. Está aí um Garcia Lorca "caboclo" que poderia ter acontecido.
São muitos os amigos poetas e amantes da poesia, mas é impossível deixar de citar o velho Delcy Thenório, poeta paulista de Ibiúna, que apenas recentemente teve seu primeiro livro publicado. Ao contrário de Bandeira que escrevia versos como quem morre, Delcy escreve versos com quem ri e se diverte das contradições da vida.
Outro poeta nunca publicado e que já teve alguns dos seus poemas musicados pelo extraordinário músico Carlinhos Kalunga, é de Butiá, uma pequena vila de Descalvado. Seu nome, Sinésio Dozzi Tezza, que extrai da terra, das árvores e dos bichos, os seus melhores versos. Ele faz versos como quem lavra e desbrava a sua terra natal.
Recentemente tive contato com um velho amigo, o Laércio Solano, o Durango, que há tempos abandonou a metrópole para viver um grande amor no grande sertão da Bahia e que nos últimos tempos desandou a escrever versos, inspirados, talvez, em seus antepassados de Andaluzia, na Espanha.
Enfim, não poderia deixar de citar o poeta, arquiteto e artista plástico Tomás Padovani com sua poesia extremamente sintética, que lapida as palavras num processo intenso, sem excessos, quase minimalista. Colega dos tempos de colégio, compartilhamos momentos de efervescência cultural, o medo dos ditadores e muita esperança.
Os mestres do colégio, como a professora de literatura, Hamide Assain José, grande figura, cujas análises de textos poéticos ainda povoam meu imaginário e a quem devo muito de minha formação. O Esdras Pinto da Silva, professor de inglês, que me incentivou a escrever meus versos tortos e a ler alguns ingleses e americanos.
E assim termino essa crônica que começou pelo dia da Poesia, relembrou o imortal Garcia Lorca e terminou com as minhas amizades poéticas que valem e valerão sempre à pena, enquanto houver luz e poesia em minhas retinas fatigadas.

Renato Ladeia,15 de março de 2010

sábado, 13 de março de 2010

A PELE DE JAGUATIRICA

Era uma vez
Um Czar naturalista
Que caçava homens
Quando lhe disseram que se caçavam
Borboletas e passarinhos
Achou uma barbaridade (Drummond)


José Pereira era um hábil caçador e nos tempos em que no oeste paulista ainda havia matas virgens, ele se embrenhava por elas para caçar. Não usava armas de fogo, apenas um longo punhal, muito afiado. Era filho de escravos africanos e talvez tenha aprendido com seu pai a arte dos seus antepassados que assim caçavam leões nas savanas africanas. Todos que o conheciam adoravam sua elegância, simplicidade e simpatia. Tinha sempre em mãos balas e guloseimas para presentear as crianças. Sua casa, que ficava perto da estrada, era repleta de flores e um pequeno pomar, onde a molecada se deliciava nas épocas em que as frutas entravam em tempo de madureza. Ele não se incomodava e tinha prazer e ver sua casa repleta de crianças. Como era um caçador suas paredes ostentavam peles de animais esticadas. Quando criança, nunca cheguei a pensar naquilo como uma crueldade, mas apenas uma coleção de troféus. Ele explicava sempre orgulhoso e com todos os detalhes como havia caçado cada um dos animais, relatos dos quais vou poupar meus nobres leitores.
Ele também era hábil com as ervas que curavam enfermidades diversas e foi essa a razão pela qual se ligou à minha família. Minha irmã mais velha teve uma febre muito forte e alguém se lembrou de que o Zé Pereira era um mestre em curar doenças. Chamado e já sabendo do caso, chegou com as suas ervas e em poucas horas a febre havia baixado e a maninha já estava brincando novamente. Foi daí que surgiu a amizade e a promessa de minha mãe que eu, que estava tranqüilo em seu ventre, seria batizado por ele, juntamente com uma prima solteira.
Fui batizado conforme prometido e pouco tempo tive para desfrutar a condição de afilhado de um grande caçador, pois tempos depois nos mudamos para a capital e apenas nas férias escolares é que o visitávamos.
Longos anos se passaram até que um dia ele apareceu em casa. Estava magro e abatido e pediu ajuda aos meus pais para se tratar de uma dor de estômago que depois se descobriu ser um câncer que o levou a morte em pouco tempo. Nesta ocasião ele trouxe-me de presente uma pele de jaguatirica que achei o máximo. Longe dos olhares dos meus pais, colocava-o nas costas e assustava a garotada do bairro. Além disso, gostava de contar orgulhoso para uma platéia pasmada, como ele havia caçado o bicho, que para mim era uma onça, com muitos detalhes inventados para dar mais emoção.
Com o tempo e já sabendo que a pobre jaguatirica era um animal em extinção no Brasil, tratei de logo de deixar a pele bem guardada em um armário, praticamente esquecida. Casei e nem me lembrei de levá-la, como também não gostaria de lembrar da velha pele até que o meu irmão Nelson se ofereceu para ficar com ela como lembrança de uma espécie destruída pela caça predatória. Não pensei duas vezes e ele levou a pele de com a promessa de não se desfazer dela. Fiquei feliz em ter me livrado de tão funesta relíquia, principalmente porque sabia que estaria em bom lugar e me isentaria da responsabilidade nada ecológica de guardar tal troféu.
Mas o velho couro já estava nas estantes do esquecimento, quando meu irmão faleceu e seu filho apareceu alguns dias depois com velho butim. “Tio, achamos esse couro de onça nas coisas do meu pai e concluímos que era melhor dá-lo a você de presente, pois não sabemos o que fazer com ele”.
Pois é, o velho couro de uma pobre jaguatirica, morta por um velho caçador nas florestas do oeste paulista nos anos cinquenta está de volta às minhas mãos. Minha mulher e minha filha acham um horror que ela fique sobre o sofá, como o couro de anta que o poeta Drummond trouxe de relíquia de Itabira. Meus amigos torcem o nariz quando vêem o troféu e alguns, mais radicais, se recusam a entrar na sala, tal a ojeriza que sentem.
De minha parte, como cúmplice inocente da crueldade, não tenho coragem de descartá-lo e tampouco dá-lo de presente (se é que existiria algum interessado). Por enquanto ele reina silencioso, sempre despertando em minhas retinas fatigadas a lembrança de que o homem é um predador terrível, que mata pelo simples prazer de ter um troféu em sua parede. Como também não terei a quem deixar a pele, vou colocar em meu testamento que o dito seja levado comigo para a terra do nunca. Assim livrarei os meus descendentes de cometerem uma indelicadeza com o velho Zé Pereira, um homem elegante e amável, que também caçava onças, antas e jaguatiricas.

Renato Ladeia, março de 2010

domingo, 7 de março de 2010

JOHNNY ALF, UM RAPAZ DE BEM

Quando garoto pensava que o Johnny Alf fosse um pianista americano que tocava jazz aqui no Brasil. Depois vi que esse americanismo era fruto de uma época, do pós-guerra e da Guerra Fria, que alastrou a influência americana pelo continente. Pensava-se que para fazer sucesso era preciso ter um nome inglês. O português era, definitivamente, um idioma que não se encaixava muito bem no show-business da época. Alfredo José da Silva, carioca da Vila Izabel como Noel, não fugiu a regra. Negro, de origem muito humilde, órfão de pai, que morreu na Revolução de 1932 quando ele tinha três anos e com mãe empregada doméstica, escapou por pouco de destino que poderia ser o mesmo de milhões de jovens negros e pobres no Brasil. Teve a oportunidade de estudar piano erudito e isso mudou seu destino. Mas não foram apenas os clássicos que fizeram a sua cabeça. Também os grandes jazzistas como Gershwin e Cole Porter, através dos musicais americanos, tiveram influência notável em sua obra musical.
Tocando na noite carioca, descobriu o som bem brasileiro de compositores como Dorival Caymmi e aos poucos foi fundindo a formação erudita com jazzistas americanos e o nosso samba, tornando-se um dos precursores da Bossa Nova, considerada uma revolução cultural na música brasileira. Li também, em algum lugar, que o Dick Farney, cantor americanizado dos anos 50 ao ouvir Johnny Alf, teria dito: “Agora sim, eu posso cantar música brasileira”. O termo Bossa Nova se transformou num sucesso publicitário, sendo utilizado, não apenas em relação à música, mas também a roupas, cabelos, modo de falar, decoração etc. Em todas as camadas sociais o termo era a expressão da moda, da modernidade.
Mas o discreto e tímido Johnny Alf, apesar de ter sido um músico sofisticado, um grande letrista e cantor talentoso, não teve a mesma repercussão dos seus companheiros da noite carioca, como Tom Jobim, Carlos Lyra e João Gilberto. Aliás, dizem os cronistas da época que o Tom não perdia uma apresentação do Johnny Alf numa boate do Rio, tal era a sua admiração. Ficou na penumbra do show-business. Não saiu do Brasil, o que poderia ter mudado o seu futuro. Ao contrário, optou pelo recolhimento, mudando-se para São Paulo e afastando-se dos bares boêmios da noite carioca, o que poderia ter-lhe dado maior visibilidade.
Nos anos noventa, Célia Mattoso, minha mulher, professora de música, descobriu que ele residia na Mooca, onde ela havia nascido e morado. Conseguiu seu endereço e o convidou para vir a São Bernardo, no ABC, para tocar com as suas crianças que se iniciavam na música. Muito simpático e solícito, ele topou na hora. Na escolinha, Johnny conversou, tocou, riu e brincou com as crianças, demonstrando um grande prazer em participar do encontro. Ele ao piano, as crianças na flauta doce, interpretaram suas canções mais conhecidas como: Fim de semana em Eldorado, Eu e a brisa, O que é amar, Nós, entre tantas outras. O encontro para ele foi tão prazeroso e emocionante que dias depois ele ligou para a Célia avisando que havia feito um presente para ela (aniversário) e as crianças: uma peça musical com duas vozes: piano e flauta, com as seguintes dedicatórias:
Criançada e Célia: Vamos em frente porque o Tom é nosso! Johnny Alf, SP, 30/11/1997” e “ Com amor e carinho do Johnny Alf, SP. 30/11/1997”
A peça musical foi na época executada na apresentação de fim ano e o autor foi o convidado de honra, mas infelizmente, por compromissos pessoais, não pode ir. Numa outra ocasião acompanhei a Célia e minha filha, hoje a cantora e compositora Mariane Mattoso, numa visita à sua casa no bairro da Mooca. Seu apartamento era muito simples e ficava na parte superior de um estabelecimento comercial. Johnny nos recebeu timidamente, mas demonstrou bastante interesse em conversar sobre música e seu trabalho. Foi mostrado a ele um vídeo da apresentação dos alunos da escola, entre eles, a Mariane cantando uma de suas músicas, “O que é amar”. Sem demora, abriu o piano e resolveu acompanhá-la ao vivo. Ficou emocionado ao acompanhar uma garota cantando sua música, o que provava que seu trabalho continuava vivo e presente. Comentou ainda que ela tinha sido a única intérprete que não havia desafinado numa determinada passagem da música.
Nesta visita ganhamos de presente, ainda inédito, uma fita k7 do seu último disco, interpretando Noel Rosa. Ao dar a fita disse: “Ouçam e depois me digam o que acharam do velho Johnny Alf cantando o Gago Apaixonado”. Na volta, colocamos a fita k7 no toca-fitas do carro e depois de ouvir o Gago, a Célia telefonou no caminho mesmo: “Johnny, o disco está o máximo e adoramos o Gago Apaixonado na sua voz”.
A Célia o visitou algumas vezes, sempre levando uns docinhos e pães frescos, que ele adorava, muitas vezes acompanhada dos músicos da escola, como o saxofonista David Del Dono Filho. Numa das visitas ele se antecipou e comprou ele mesmo os doces para recebê-la.
Johnny era também apaixonado por cinema o que era visível em seu apartamento, com uma imensa coleção de filmes de todos os gêneros, que ocupava quase toda a sua sala. “É a minha diversão”, disse ele, pois não tinha muitos shows para fazer. No grande acervo notei exemplares dos antigos musicais americanos que ele curtiu quando descobriu o jazz.
Soubemos, tempos depois, de sua internação no Hospital Mario Covas, através do Dr. Milton Borrelli, um grande admirador do Johnny e, em seguida, numa casa de repouso em Santo André, quando a Célia também foi visitá-lo, levando-lhe doces e uma blusa de lã, pois estava muito frio. Como de hábito, ele a recebeu com muita atenção e carinho, sempre perguntando pelas crianças. Mas ele já estava com diabetes e disse: “Célia, a blusa eu gostei, mas os doces, infelizmente, você vai levar de volta”.
Johnny Alf morreu sem ter tido o reconhecimento que ele merecia, apoiado por alguns poucos amigos e admiradores, sem o glamour de outras estrelas da música popular brasileira, mas um compositor inesquecível, pelas melodias marcadas pela sofisticação e beleza harmônica. Era também um letrista de talento, como podem atestar canções como Eu e a brisa.
Quero crer que nos últimos momentos de sua vida, tenha vindo à sua mente a letra de sua mais famosa canção: “Ah! se a juventude que esta brisa canta, ficasse aqui comigo mais um pouco. Eu poderia esquecer a dor. De ser tão só, prá ser um sonho...”. Mas a brisa se foi e ficou apenas a dimensão dos sonhos. Johnny Alf morreu pobre, mas sempre apoiado por amigos e admiradores. Suas canções permanecerão vivas na memória dos amantes da boa música e continuarão influenciando as futuras gerações de compositores porque sua obra é imortal.

Renato Ladeia