Argemiro, Miro ou Mirão, era nosso vizinho. Filho mais velho do seu Afonso, que era barbeiro nas horas vagas e aparava as madeixas dos vizinhos e garotada. Miro gostava de se sentar sobre o muro de sua casa sem camisa exibindo seu corpo atleta com uma águia tatuada no peito. Era uma águia simples, pois as técnicas de tatuagem ainda estavam bem distantes das atuais. Miro era também beque central do Estrela F.C de Vila Marlene, o glorioso time do bairro com seu garboso uniforme vermelho, que jogava num campo de terra batida que deixava os jogadores com as pernas e braços ralados após os jogos. O Miro era respeitado e jogava duro para segurar os ataques adversários, normalmente um time de outro bairro que vinha disputar uma cobiçada taça. Aos domingos e feriados eu não perdia um jogo do Estrela e nas vitórias ou derrotas eu acompanhava o escrete caminhando com as camisas nas mãos em direção à sede que ficava ao lado do bar do Serafim, um espanhol apaixonado por futebol. A sede era um b...