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GOLPE OU REVOLUÇAO?°

Hoje completa 58 anos do Golpe Militar de 1964 e ainda se discute se foi golpe ou foi um “movimento”. Palavras... Na Ciência Política golpe é quando ocorre a derrubada pela força de um governante constitucional, ou seja, foi eleito por voto direto ou indireto de acordo com as regras estabelecidas na carta magna de um país. Golpe é um termo considerado pesado e os militares não gostavam e ainda não gostam e preferiam Revolução e hoje Movimento. A bem da verdade o golpe foi o resultado de um complô entre políticos conservadores, empresários, parte da igreja católica e militares. Mas depois de assumirem o poder, os militares chegaram à conclusão que eles governariam melhor o país do que os civis e lá se foram vinte anos com o país sob o domínio dos coturnos. Era uma ditadura envergonhada que fazia eleições para “inglês ver”. Escolhiam os presidentes nos quartéis e depois mandavam os congressistas votarem neles. A diferença das outras ditaduras é que não havia continuísmo. A cada quatro ...

LYGIA FAGUNDES TELLES

Lygia foi eleita imortal da Academia Brasileira de Letras, mas continuou com o direito de morrer, pois como dizia um velho amigo falecido, a vida eterna é numa coisa sem graça. Há um momento em que é preciso descansar do corpo velho e repleto de dores aqui e acolá. A memória já não funciona direito e os dentes já não conseguem estraçalhar uma picanha ao ponto com a mesma força e prazer dos tempos de antanho. A imortalidade da Lygia é outra. A imortalidade é da sua obra que sempre será lembrada, lida e relida enquanto durar esse velho e maltratado planeta do sistema solar. Encontrei a Lygia duas vezes, a primeira numa palestra na faculdade. Ela era ainda uma jovem e bela mulher e eu na flor da idade. Consegui a duras penas apertar sua mão e parabenizá-la pelas belas palavras, num tempo difícil em que até para os poetas e escritores havia agentes da ditadura a espreita. Às vezes para o palestrante e outras para identificar no público aqueles que fazem perguntas incomodas para os donos ...

As mulheres do século XXI

Resolvi rever o filme de Mike Mills de 2017. A história se passa nos anos 1970, com uma mulher liberal, madura, divorciada, tabagista e com um filho adolescente. Uma jovem fotografa punk aluga um dos quartos da casa e o filho tem uma amiga de infância que sorrateiramente dorme no quarto dele, mas sem nenhum envolvimento sexual, apenas para conversar. É uma história comum, sem grandes sobressaltos. As emoções que acontecem, são as mesmas do cotidiano das pessoas como a gente, um carro que pega fogo sozinho, as turbulências de um adolescente com os seus hormônios, os problemas das amigas, as baladas, as doenças, enfim... A trilha sonora, com “As time goes by”, provoca em mim um pouco de saudade. Vem aquela melancolia pela falta dos pais, dos irmãos, de amigos... Casablanca é um filme tão velho e foi realizado bem antes do meu nascimento, mas foi assistindo tantas e tantas vezes que parece que eu estava presente no dia do lançamento ou que vivia o momento de guerra. A relação do adoles...

O AMORES DE SHAKESPEARE E MARIANE MATTOSO

A proposta inicial era um espetáculo para comemorar os 400 anos de Willian Shakespeare, mas faltaram tempo e recursos. Trazer a obra do genial inglês para o Brasil não era uma tarefa fácil, mas a compositora e cantora Mariane Mattoso encarou o desafio e foi buscar nos sonetos do bardo a inspiração para dez canções bem brasileiras, como valsinhas, marcha-rancho, samba, samba canção, ciranda e até um bolero abrasileirado. Mas os versos de amor de Shakespeare reservaram uma surpresa, pois o poeta escreveu belos versos de homens apaixonados não apenas para mulheres, mas também para um homem em especial, um jovem e rico nobre que era também o seu mecenas que financiava as produções de suas peças. A bissexualidade do bardo já era comentada nos bastidores dos círculos literários, mas nunca de forma explícita. As velhas traduções dos versos sempre procuraram esconder que os versos eram destinados a um homem ou homens. A partir dessa descoberta, surgiu a ideia de encenar a história em que ap...

O QUE PENSARIAM DE NÓS OS EXTRATERRESTRES

O curta metragem Ilha das Flores, que muita gente deve ter assistido nas aulas sobre meio ambiente, é uma fina ironia sobre um visitante extraterrestre (não explícito) e suas observações sobre os seres humanos, sua economia, seus hábitos de consumo, desigualdade social e outras mazelas. Para começar o ser humano é analisado pelo olhar crítico de um possível cientista extraterreno como um mamífero que se diferencia dos demais por ter o polegar opositor e um encéfalo mais desenvolvido, que obviamente se tornou a espécie dominante no planeta. O curta revela sobre nós em apenas quinze minutos, muito mais do que as enciclopédias, as aulas de sociologia, economia, história etc. O filme é cirúrgico e fugiu bastante da primeira proposta que seria sobre a questão ambiental, focando em um lugar chamado de Ilha das Flores, que de flores não tem nada, mas apenas criação de porcos alimentados por restos de alimentos coletados em centros de distribuição. Na mesma ilha, seres humanos disputam dep...

CARRO VELHO: UMA AVENTURA II

Ter um carro no passado era o sonho de todo mundo. Um possante era a sensação de andar pelas ruas com segurança sem medo de chuva ou de ser assaltado com o carro em movimento, sair e voltar a hora que quiser, sem depender de ônibus ou trem. Pegar uma estrada e se sentir o dono do mundo com o vento acariciando o rosto. Tudo isso sem contar com a possibilidade de namorar a garota mais cobiçada do bairro. Tive um colega que seu rival passou de carro e a sua namorada o largou no meio da rua. Uma tragédia. Ele bebeu formicida, mas por sorte foi socorrido a tempo. Tudo por culpa de um carro. Nos fins dos anos 1950 e início de 1960 a moda entre os jovens de classe média era puxar carros estacionados nas ruas e dar uma voltinha. Quem fazia isso era o filho menor de idade do professor Sérgio Buarque de Holanda, um tal de Francisco. Mas a brincadeira acabou mal e ele e seu amigo foram pegos pela polícia. Como eram menores e com cara de filhinhos de “papai”, ficaram mofando na delegacia até a...

CARROS VELHOS: UMA AVENTURA

Já se foram os tempos em que ter um carro era sempre uma aventura imprevisível. Acontecia de tudo e ai daquele que não tivesse um bom mecânico para socorrê-lo. Com tantos problemas, era natural que os “felizes” proprietários acabavam entendendo de mecânica o suficiente para algumas emergências. Trabalhando numa empresa ainda menor de idade, vi passarem, quase que semanalmente pela oficina da companhia, os carros dos chefes e gerentes que constantemente deixavam os donos na mão. Um gerente de vendas chamado George, tinha um antigo sedã Citroem preto, um carro elegante com um enorme cofre do motor que se projetava para frente. Era o carro que sermpre aparecia em um seriado francês “A Interpol”, que era sucesso na época. Achava o carro o máximo em charme e beleza. Meu irmão caçula, o Nelson, era apaixonado por carros e ainda menor de idade comprou em sociedade com um amigo, um Austin 1938. Eles dividiam o carro semanalmente, mas era comum o carro deixá-los no meio do caminho. Uma vez...