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Eta cafezinho bom! O café está glamorourizado. Virou uma bebida sofisticada com degustação e outros adereços. Um barista é capaz de descobrir no aroma de um café, notas de amêndoas, sabor de cítricos ou um leve toque de cacau fresco. Alguns se arriscam em afirmar que determinada marca de café gourmet tem traços de alma penada com sofrimentos frutados. Brincadeira? Pode até ser, mas algumas fragrâncias detectadas por alguns baristas, imitando os someliers são dignas da imaginação criadora, não acessíveis aos comuns dos mortais. Já ficaram conhecidas variedades de café cujas amêndoas passaram pelo aparelho digestivo de alguns animais, como gatos selvagens de uma região asiática ou mesmo de uma gralha brasileira do Espirito Santo. Nos dois casos os bichos ingerem os frutos dos cafeeiros, digerem a casquinha adocicada e evacuam os grãos, que são recolhidos, limpos e higienizados para serem consumidos como um dos cafés mais caros do mundo. Os saboreados pelos gatos selvagens chegam ...
O BAIRRO DA LIBERDADE e OUTRAS HISTÓRIAS O bairro da Liberdade, por estranho que possa parecer, não leva esse nome em razão de movimentos libertários. Assim, não foi por causa da independência, da República ou da Abolição da escravidão que o bairro ganhou esse nome A origem do bairro tem uma razão que não lembra em nada seu nome.  Tudo começou com uma forca, construída em madeira de lei por ordem do governo imperial no início do século XIX.  De largo da Forca, onde ainda hoje existe a capela dos Enforcados, é que surgiu o nome Liberdade. Nas frias manhãs paulistanas, o povo se reunia para assistir os enforcamentos determinados por julgamentos nada confiáveis. Por incrível que pareça, era um evento turístico na cidade assistir as execuções. Vinha gente de todos os cantos do pequeno povoado paulistano para compor a plateia do “espetáculo” como são mostrados nos filmes que retratam tempos idos. Alguns até faziam piqueniques às margens do Tamanduateí, na época ainda um rio...
O ROUBO DO BARÃO Deu nos jornais que um homem modesto havia roubado um pedaço de carne e por isso foi parar atrás das grades. Ele alegou ao seu doutor, que pegou a carne por necessidade, pois o filho estava faminto. A história sensibilizou até os policiais que fizeram uma coleta para comprar-lhe alguns mantimentos. Roubar para saciar a fome de si ou de outrem não seria crime se seguirmos o adágio popular, mas para a lei, roubo é roubo e não adianta chiar.  Tirar algo de alguém sem autorização é crime e para um juiz que segue a lei com rigor, é o enquadramento no código 171. Mas existe outro adágio popular em nossa Pindorama , que diz que “roubar pouco é ladrão, e roubar muito é barão”, que felizmente parece estar perdendo a validade, pois muitos barões estão vendo o sol nascer quadrado. Mesmo assim, não são chamados de ladrões ou larápios, mas empresários ou executivos corruptos, pois ladrão é considerada uma expressão pesada demais para os chamados colarinhos brancos....
A HISTÓRIA DE VIDA DE CLORY FAGUNDES MARQUES, CARINHOSAMENTE CHAMADA DE MAMÃE CLORY Edson Zeca da Silva ficou surpreso ao ser convidado por uma instituição alemã, através de uma velha amiga, para fazer a biografia de Clory Fagundes de Marques, mais conhecida por Mamãe Clory, a fundadora da Associação Cristã verdade e Luz que ampara criança e idosos em São Bernardo do Campo. Até então não sabia exatamente quem era a Mamãe Clory, sua história, seu trabalho em prol dos necessitados. Como não é de recusar desafios, aceitou a empreitada filantrópica com a condição de que não haveria interferências no seu trabalho. Contaria a história de vida de Dona Clory de acordo com os depoimentos da biografada e relatos de pessoas da família e amigos.  Graduado em Ciências Sociais e apesar de não ter exercido nenhuma atividade específica no campo das ciências humanas, conservou algumas características de sua formação e trabalhou procurando situar a vida da biografada no contexto histórico e ...
RELEMBRANDO OS TEMPOS DE COLÉGIO OU A PARTIDA DA MARCIA EDWIGES DE OLIVEIRA. Passados longos anos, já beirando a aposentadoria, às vezes dá vontade de saber por onde anda aquela turma do colegial, uma fase gostosa da vida em que estávamos todos querendo descobrir e consertar o mundo. Era muita alegria, descompromisso com o futuro ou com o presente. Por Essas e outras, num dia desse outono que começa a dar as caras, resolvi dar uma espiada nas redes sociais para ver se encontrava alguém. E os nomes? Muitas mulheres mudam de nome quando casam e muitos não estão sintonizados com a tecnologia da informação. Lembrei-me de alguns e comecei a pesquisar. Qual o quê! Encontrei uma que era uma garota deslumbrante, inteligente culta e que gostava das mesmas músicas e mesmos autores que eu ouvia e lia. Cheguei até pensar que poderia rolar alguma coisa, mas ficou apenas na amizade. Depois descobri que ela não tinha nada a ver comigo. Éramos pessoas muito diferentes.  Encontrei, também, du...
A OLIVEIRA DO CEILÃO Cansado dos negócios da carne no seu sentido literal, quando via diariamente cadáveres de bois, porcos e galinhas, um velho amigo dos tempos idos resolveu partir para a vida bucólica do campo. Passou nos cobres a sua rede de açougues, que apesar de bastante rentável, dava muito, muito trabalho, pois não tinha fim de semana ou feriado para o merecido lazer. Todo dia é dia de carne na mesa das pessoas.                Perambulando pelo interior viu muitas propriedades, algumas maravilhosas, mas que não cabiam em seu bolso. Até que um dia descobriu em Pinhalzinho, perto de Bragança, um bucólico sítio, com boa nascente e boa terra. Era uma antiga fazenda de café, com o seu velho terreiro sustentado por uma muralha de pedra cujas origens remontam os tempos da escravidão. Lá encontrou até uma pequena senzala, onde o primeiro proprietário mantinha sua escravaria. O velho casarão ele decidiu demo...
BEATRIZ Ela era uma atriz e bailarina e dançava nos sonhos do jovem rapaz. Ele dormia e acordava pensando nela, imaginando onde ela estaria. Em que palco dançava e representava para as multidões que a aplaudiam. Em seus devaneios ele via a atriz dançando só para ele, movimentando seu corpo como um pássaro no ar. As asas que ela não tinha, flutuavam como leves plumas ao sabor do vento. Não sabia onde ela morava, mas imaginava que fosse num enorme arranha céu e de lá descia todas as manhãs como um pássaro e pousava na calçada com a ponta dos pés. E todas os passantes abriam caminho para que ela seguisse voando em direção ao palco. Mas a vida da atriz e bailarina Beatriz era diferente dos sonhos do jovem apaixonado. Ela morava sozinha num quarto de pensão e às vezes nem tinha o que comer, pois seu pagamento atrasava por semanas. Chegava exausta, tarde da noite e deitava-se faminta numa cama imunda e fria. Encolhia-se como feto no útero para suportar o frio da madrugada paulista....