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PASÁRGADA: VELHOS AMIGOS, VELHAS LEMBRANÇAS

O poema “Vou-me embora para Pasárgada” é quase uma canção de exílio, pois lá sou amigo do rei e tem tudo, é outra civilização... Assim, quando estou triste, triste de não ter jeito, dou uma escapadinha e vou para lá esquecer e, também, para lembrar. E nesse último domingo, fomos todos, mulher, filha, genro e neto para essa civilização imaginária onde tudo é permitido, nada é pecado ou engorda.

Fica pertinho daqui, logo ali depois de Embu das Artes e fomos guiados pela Celinha que conhece todos os caminhos que levam à Pasárgada, lembrando os desvios e atalhos por onde o tempo traça seus roteiros. Lá encontramos os queridos amigos José Geraldo Rocha, a Valnice Vieira, a Bola, a Amaranta, a Janaina, o Ricardo, o Gabriel e a menina Cecilia. Essa família maravilhosa que vive do e no teatro, sempre encenando mundos fantásticos, cheios de emoções e atravessam o tempo declamando poesias e histórias da carochinha.

Lá tem tudo e até pés de café, cujos frutos são saboreados pelos jacus, que vivem em bandos pela floresta. Zé Geraldo recolhe com todo o carinho, os grãos nas fezes dos bichinhos, limpa-os e torra-os para fazer um delicioso café que tem poderes quase mágicos. A produção é pequena, mas dá para aquecer a alma nos dias frios de inverno. 
Em nossa Pasárgada teve uma lasanha deliciosa, preparada com esmero pela Bola, uma atriz e criadora de bonecos e cenários onde se apresenta uma atriz que vem a ser contraparente da nora que eu nunca tive, mas gostaria de ter. Lá convivem corintianos e palmeirenses que nunca brigam, não falam palavrões e riem o tempo todo, de modo a ouvir-se de longe, como diria o poeta Alberto Caieiro.    
                                                
Nesta Pasárgada imaginária e verdadeira como o olhar do Zé Geraldo, escritor, dramaturgo, ator e diretor de teatro a gente volta no tempo e vê gente que já se foi para a terra do nunca, como o Plinio Pinto Teixeira, que abandonou o teatro para ser advogado e professor, o Belmiro Arruda, também ator, que marcou um encontro definitivo com extraterrestres e desapareceu numa estrada perigosa em Goiás. Até o Zécarlos Machado, também ator profissional, esteve por lá. Em fotografias velhas e desbotadas, mas estavam todos presentes nos seus tempos da República de Pasárgada em São Caetano do Sul, pertinho da Fundação das Artes. Apareceram, também, o Limoeiro, o Claudio Campana e o Estevão, com sua emblemática capa preta, sempre acompanhado por um bode e recitando textos filosóficos de Hegel. E,  de repente,  apareceu a Bete Cunha, a poeta, declamando seus poemas dos tempos da velha e saudosa terra do nunca. Quase ao por do sol apareceu o Timochenko Wehbi, vestido com uma toga romana e uma coroa de louro, atravessou o tunel do tempo e retornou ao mundo dos vivos.                                              


Entre uma taça e outra de vinho, as meninas Janaina e Amaranta contaram suas histórias de antes e depois da Pasárgada, enquanto o meu neto Antônio brincava no jardim com a Cecilia, recolhendo grãos de café maduros e se divertindo com borboletas e passarinhos.
Enfim, entre frutos meio verdes e desejos já maduros, despedimo-nos da Pasárgada e voltamos para o mundo real, sempre prometendo que um dia voltaremos pra lá, onde sempre seremos amigos do rei e da rainha.

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