Pular para o conteúdo principal
CIGARRO DE PALHA


José, chefe de comitiva de boiadeiros, levava uma boiada para o Mato Grosso, quando deu uma parada para ver um boi que tinha se desgarrado. Foi aí que  apareceu o cavaleiro bem falante, que o abordou:

- O senhor teria fumo?

- Tenho, sim senhor, respondeu, oferecendo ao viajante.

- O senhor por acaso teria um canivete?

-Pois não, aqui está.

O homem picou o fumo caprichosamente, devolvendo o canivete e o tolete de fumo para José e mais uma vez perguntou:

- Não querendo abusar, o senhor teria palha?

- Tenho sim senhor, respondeu, entregando a palha ao homem.

Depois de enrolar o cigarro, o viajante ainda fez um novo pedido.

- O senhor me faria o obséquio de emprestar o fogo?

- Pode deixar que eu acendo, respondeu, pegando a binga e colocando o cigarro nos lábios.

Acesso o cigarro, José deu uma tragada e acenou para o viajante dizendo:

- Pode deixar que eu fumo pro senhor. E partiu a galope pela estrada se juntando aos demais da comitiva.


Comentários

  1. coitado do cara ficou se açaõ.talvez lhe faltou comunicação.caramba!!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

JOSÉ DE ARRUDA PENTEADO, UM EDUCADOR

Num dia desses  visitava um sebo para passar o tempo, quando, surpreso, vi o livro Comunicação Visual e Expressão, do professor José de Arruda Penteado. Comprei o exemplar e pus-me a recordar os tempos de faculdade em que ele era professor e nosso mentor intelectual. Era uma figura ímpar, com seu vozeirão impostado e uma fina ironia. Rapidamente estreitamos contato e nas sextas-feiras saíamos em turma para tomar vinho e conversar. Era um dos poucos professores em que era possível criticar, sem medo, a ditadura militar. Penteado era um educador, profissão que abraçara com convicção e paixão. Seu ídolo e mestre foi o grande pedagogo Anísio Teixeira, que ele enaltecia com freqüência em nossos encontros semanais. Defendia um modelo de educação voltado para uma prática socialista e democrática, coisa rara naqueles tempos. Depois disso, soube que estava coordenando o curso de mestrado em Artes Visuais da Unesp e ficamos de fazer contato com o ilustre e inesquecível mestre. Mas o t...

BARRA DE SÃO JOÃO

Casa  onde Pancetti morou Em Barra de São João acontece de tudo e não acontece nada. As praias são de tombo e as ondas quebram violentamente na praia. Quase ninguém as freqüenta a não ser algum turista desavisado, preferencialmente os paulistas. Mas o lugarejo é tranqüilo, com ruazinhas arborizadas com velhas jaqueiras e com muitas primaveras nos jardins, dando uma sensação gostosa de paz e tranqüilidade há muito perdidas nas grandes metrópoles. Foi lá que nasceu o poeta Casimiro de Abreu e onde foi sepultado conforme seu último desejo. O seu túmulo está no cemitério da igreja, mas dizem que o corpo não está lá e que foi “roubado” na calada de uma das antigas noites do século dezenove. A casa do poeta, restaurada, fica às margens do Rio São João é hoje um museu onde um crânio humano está exposto e alguns afirmam que é do poeta dos “Meus Oito Anos”. Olhei severamente para o crânio e questionei como Shakespeare em Hamlet: “To be or not to be”, mas fiquei sem resposta. O cas...
ITANINA LADEIA: BREVE RETRATO DE UMA MÃE QUE PARTIU Nascida em Buenópolis, MinasGerais, era ainda criança quando a família mudou-se para o Rio de Janeiro e depois para Araçatuba, São Paulo.  Gostava de cantar e declamar versos, principalmente religiosos. Era católica praticante, ia à missa toda semana, mas permitia-se algumas escapadelas aos centros espíritas, principalmente na casa da dona Nésia, uma simpática vizinha russa, amiga da família. Era uma grande contadora de histórias, muitas das quais são inesquecíveis. Seus avós, coronéis escravocratas falidos no século dezenove, deixaram apenas as histórias que ela contava para os filhos. Sentávamos todos em sua cama para ouvir os contos de fada e histórias da família.  A família passou por muitas dificuldades, pois seu pai, que apesar de culto e bem informado sobre tudo o que acontecia no mundo, não se adaptou a nenhuma profissão que exigia rotina, horário fixo e chefe. Foi professor primário, delegado, j...