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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

UM CRIME QUASE PERFEITO

Todas as sextas-feiras ele fazia serão. Ligava para Margarete e dizia que tinha uma reunião de final de semana para acertas os detalhes para a segunda feira. Além disso, sempre dizia, “vou para o happy hour com o pessoal do escritório”. Em verdade, era tudo conversa fiada. Margarete sempre acreditava ou fazia de conta, pois por mais que procurava se enganar, o cheiro de perfume de mulher nas roupas dele era indício de que havia algo mais do que um inocente happy hour com a turma do escritório. Mas ela era uma mulher conformada com a vidinha que levava. Não faltava nada em casa. Podia comprar suas coisinhas, ir ao cabelereiro, fazer as unhas e ainda tinha a sua mãe que morava com eles e os filhos. Nestor era um bom marido e não havia do que reclamar.
Na sexta-feira ele chegava por volta das onze e meia. Tomava um banho rápido e caia na cama, pois no sábado, bem cedinho, tinha o compromisso de ir com a família para a chácara em Ibiúna. Era uma rotina. Levantavam cedinho, mulher, crianças e a sogra no carro e pé na estrada. Mas neste sábado alguma coisa parece que estava dando errado. Viu um sapato de salto alto embaixo do banco do passageiro.
Começou a suar frio. Será que a Doroty, sua secretária, tinha bebido demais e esquecera o sapato no carro. Não é possível que ela tenha aprontado essa comigo, pensou com seus botões. Ela estava mesmo alta e estava com um sapato na mão. Será possível que a cretina largou o outro pé no carro? Calma, calma Nestor. Nada de desespero, que não vai resolver o problema. Maquinou uma solução. Distraiu a Margarete, pegou o sapato e o colocou do seu lado e ficou esperando uma oportunidade para distrair o pessoal, quando viu uma fazenda com o gado pastando num lugar bucólico.
- Olha que interessante esse lugar!  Disse apontando para o lado direito.
Todos olharam e ele, matreiramente, jogou o sapato pela sua janela. Ainda bem que ninguém viu, pensou. Doroty que se vire sem o sapato. Tudo bem eu compro um par novo para ela. O importante é que ninguém viu. Sentiu-se aliviado. Era outro homem. Nunca, nunca mais vou permitir que ela faça isso comigo novamente. Acho que nem vou mais sair com ela. Vou acabar com esse relacionamento. A Margarete não merece isso.  Onde já se viu deixar a marca do crime em meu carro! Não queria magoar a Margarete, pois era uma boa esposa, recatada e do lar. Não era nem ciumenta. Um amor de mulher. Devia dar graças a Deus...
- Não vamos dar uma parada Nestor? O posto já está perto. Avisou Margarete.
- Claro, claro, querida. Vamos parar sim.
Nestor estacionou o carro e desceu. Deu uma espreguiçada e olhou o horizonte enquanto o pessoal saia do carro. Nisso ouviu sua sogra gritando.
- Cadê meu sapato? Onde está meu sapato? Eu tirei aqui no carro. Estava aqui, nos meus pés.


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