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domingo, 10 de julho de 2016

FESTANÇA JULINA,

Festa junina é tudo de bom. Tem quentão, vinho quente, pinhão, batata doce, cuscuz e outras iguarias. Mas o que a gente vê por aí são festas artificiais, sem aquela graça da cultura caipira que os paulistas trouxeram do interior profundo para as cidades e assim resgatando a memória dos tempos de roça, de pomar, de gado pastando no atalho, da seriema correndo pela invernada, do jequitibá do lado da porteira, da pesca de anzol no riacho, do milho verde assado, do fogão a lenha, da galinha de angola e outras coisas que estão desaparecendo com o progresso.
No último fim de semana o bom e velho amigo Sinézio Dozzi Tezza e a Ana Amélia resolveram abrir a casa nos arredores da Paulistânia para uma festa julina (porque foi no dia 2 de julho) a rigor, com todos os quitutes que se tem direito. E para deixar todo mundo com inveja, convidou dois bons violeiros e cantadores para alegrar a moçada e a vechiaria. Quem é que ouve hoje em dia canções como Romaria de Renato Teixeira ou Cafezal em Flor do saudoso Luiz Carlos Paraná? E as modas caipiras de raiz? Tonico e Tinoco, Raul Torres, Belmonte e Amaraí estavam lá alegrando os corações. Ainda por cima contamos com a presença do Saulo de Tarso, o maior do Brasil, com seu vozeirão fazendo bonito com a patroa, dona Silvia, cantando em dueto na beira da fogueira. Vi gente com lágrimas escorrendo pelos rostos na penumbra da noite. E não era para menos, pois quem não se emociona com tanta coisa boa.
E por falar em saudades... é bom lembrar as nossas festas juninas que durante quinze anos mobilizou a nossa turma. Um mês antes nos mobilizávamos para organizar a festa. Um grupo cuidava das músicas, pois o festival de canções juninas era o ponto alto e porque não dizer o mais importante. Tinham também os balões, ambientalmente incorretos, mas fazia parte da tradição e da transgressão. Com o tempo a gente vai percebendo que os balões, apesar de bonitos e emocionantes, representam um perigo pelo risco de incêndio urbanos, em florestas ou nos campos. Mas tudo ali valia a pena, mesmo quando as almas ainda eram pequenas.
E ainda falando em saudades, não dá para esquecer da figura imponente do grande Erasmo Luiz Carlos imitando Miguel Aceves Mejia, introduzindo um pouco da cultura mexicana nos festejos brasileiros. Ele já partiu, mas sua presença continuará eterna em nossas recordações.
A vista da represa no fundo quintal foi algo a parte com o sol se ponto em meio às palmeiras e arvoredos com tudo que a imaginação poética pode trazer. Além disso, com o carinho e simpatia do casal e dos filhos que sabem receber com simpatia e generosidade.
Obrigado Sinésio, Ana, Thais e Paulinho pelos bons momentos que passamos juntos aquecidos pelo calor da fogueira e das belas e inesquecíveis canções. Vamos juntos porque o tempo não para.


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